Mona Lisa Digital: Artistas Recriam Obra-Prima com IA e NFT em Exposição Disruptiva
Coletivo de criadores brasileiros desafia fronteiras entre arte clássica e tecnologia com releitura interativa de Da Vinci, gerando debate sobre originalidade e direitos autorais.
Inovação ou heresia? Artistas brasileiros usam inteligência artificial para ‘recriar’ a Mona Lisa
Em uma ousada exposição que abre as portas no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) neste sábado, um coletivo de 12 artistas digitais apresenta a série ‘Mona Lisa 2.0’, onde a icônica pintura de Leonardo da Vinci é reinterpretada através de algoritmos de IA e vendida como NFTs. A mostra, intitulada ‘O Sorriso Algorítmico’, reúne obras que vão desde animações que ‘animam’ o rosto de Mona Lisa até variações onde ela aparece em cenários surrealistas.
Entre os participantes está a renomada artista visual Ana Handa, conhecida por suas instalações imersivas, e o programador criativo Lucas Mendes, que desenvolveu o modelo de IA generativa usado. ‘Não se trata de substituir o original, mas de dialogar com ele em uma nova linguagem’, explica Ana. As obras, todas registradas como tokens não fungíveis, serão leiloadas online, com lances iniciais que variam de R$ 5 mil a R$ 50 mil.
A curadora Letícia Ramos destaca que a exposição levanta questões sobre autoria e preservação digital. ‘Estamos testemunhando um novo capítulo na história da arte, onde o código é o pincel e o blockchain é a tela’, afirma. A mostra fica em cartaz até 30 de junho, com entrada gratuita às quartas-feiras.
Polêmica e fascínio: especialistas divididos sobre o futuro da arte
Críticos de arte tradicionais, como o historiador Paulo Almeida, classificam a iniciativa como ‘mero exercício de marketing’ e alertam para a ‘banalização’ de clássicos. Por outro lado, o curador digital Ricardo Oliveira vê na mostra uma oportunidade de democratizar o acesso à arte. ‘Essas obras podem ser vistas por milhões de pessoas online, algo que a Mona Lisa original nunca conseguiu’, argumenta.
Apesar das controvérsias, a exposição já atraiu a atenção de colecionadores internacionais. A galeria londrina ‘Token Art’ confirmou a aquisição de três peças da série para seu acervo permanente. Para os artistas, no entanto, o maior triunfo é fazer o público repensar o conceito de obra-prima. ‘Se Leonardo estivesse vivo, talvez fosse um dos maiores entusiastas da IA’, brinca Lucas Mendes.



